Alergia e Imunologia

Nos últimos anos, observa-se um aumento importante das doenças alérgicas, principalmente entre crianças e adultos jovens. A alergia é uma doença multifatorial, levando-se em consideração a predisposição genética e fatores ambientais.

O grande diferencial entre um médico alergista e os de outras especialidades é a preocupação em detectar o agente causador da alergia. História clínica detalhada (anamnese), exames de sangue (para rastrear o mecanismo ou agente causal da alergia) e/ou os testes alérgicos são as prioridades em uma consulta com o especialista em alergia.

Exames e Procedimentos

Indicado na suspeita de alergias respiratórias, cutâneas, alimentares e por picada de insetos.

É um procedimento rápido, seguro e indolor, realizado no antebraço ou dorso do paciente.

A leitura do resultado demora em torno de 15 a 20 minutos. O teste é positivo quando surge uma elevação avermelhada na pele, semelhante a uma picada de insetos

Prick Test

É realizado através da colocação das substâncias a serem testadas na região dorsal do indivíduo. As substâncias para as quais o indivíduo é sensível levarão ao aparecimento de erupção no local do teste.

Patch Test

Provocação Oral

A DEPENDER DO QUADRO CLÍNICO DO PACIENTE A INDICAÇÃO DO EXAME

A espirometria serve para diagnosticar e acompanhar a evolução de doenças pulmonares, bem como a eficácia do tratamento.

ESPIROMETRIA

Tratamentos

É uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico. A imunoterapia é a administração do alérgeno ao qual o paciente é sensível, de forma progressiva e gradual, com objetivo de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos de defesa (bloqueadores), aumentando a resistência e diminuindo a sensibilidade específica contra o alérgeno tratado e consequente melhora dos sintomas e da qualidade de vida.
Imunoterapia SUBLINGUAL

Principais doenças alérgicas e imunodeficiências

Alérgenos Intradomiciliares: A poeira intradomiciliar é composta de ácaros e suas fezes, fibras vegetais, epitélios de animais, fungos, restos de insetos, restos alimentares e partículas inorgânicas do meio ambiente. De todos os componentes, os provenientes dos ácaros constituem os mais importantes.

  • Ácaros: Os ácaros estão presentes em reservatórios como colchões, travesseiros, sofás, tapetes, carpetes e cortinas, em locais úmidos e escuros.
  • Alérgenos de animais domésticos: Envolvem pêlos, saliva, urina, penas e epitélio descamado. Os epitélios de animais desempenham um papel importante no desencadeamento das crises de asma.

O alérgeno principal do gato está presente nas glândulas sebáceas e salivares do animal e é abundante em carpetes, colchões e mobília. Após a retirada do gato do ambiente, os níveis de alérgenos tendem a permanecer altos por um período longo de até 6 meses, podendo levar anos para seu desaparecimento completo.

Os alérgenos do cão podem estar presentes em níveis até 100 vezes mais altos nas residências onde existam esses animais.

Os ramsters e outros roedores também podem causar alergias, além de outros animais como os cavalos, vacas, cabras e coelhos.

  • Baratas: São importantes agentes de sensibilização em áreas urbanas, e áreas onde há maciça infestação pelo inseto.
  • Fungos: Estão presentes no domicílio, em locais com umidade elevada, mal ventilados e quentes.
  • Pólens: Estão implicados nas doenças alérgicas, principalmente em países onde as estações climáticas são bem definidas. No Brasil, há maior prevalência na região Sul, onde a estação polínica é mais bem definida.
  • Poluentes extradomiciliares: A poluição, relacionada a agentes produzidos pelas indústrias e à queima de combustíveis derivados do petróleo, contribui para a piora das alergias respiratórias, principalmente nos pacientes asmáticos.
  • Poluentes intradomiciliares: Os principais poluentes intradomiciliares são o cigarro e produtos de odores fortes (talcos, perfumes, produtos de limpeza. A queima do cigarro produz cerca de 4500 compostos. É extremamente irritante para via respiratória e aumenta o risco de asma em crianças, principalmente nos primeiros dois anos de vida.
  •  Utilizar travesseiros, cobertas e cobertores exclusivamente de materiais sintéticos.
  • Encapar colchões e travesseiros com capas de material impermeável à passagem de ácaros (corino, napa, corvim, plástico, etc.) ou capas antiácaros vendidas em lojas de produtos alérgicos, com zíper.
  • Trocar frequentemente a roupa de cama e, se possível, lavar em água quente, acima de 55°C, por 10 minutos ou usar secadora que atinja esta temperatura.
  • Evitar tapetes e carpetes. Se os carpetes não puderem ser retirados de imediato, limpa-los 2 x/semana com aspirador de pó (com filtro HEPA), tomando-se o cuidado de afastar o paciente alérgico do ambiente por aproximadamente 30 minutos. Limpar pisos com pano úmido, usando produtos sem cheiro forte.
  • O quarto do paciente deve ter o menor número possível de objetos que acumulem pó, removendo-se bichos de pelúcia, livros, revistas, caixas, etc. Os armários devem ser bem ventilados.
  • As cortinas devem ser retiradas, substituídas por persianas laváveis ou devem ser utilizadas cortinas de tecido leve, que possam ser lavadas a cada 15 dias no máximo. Evitar sofás/estofados de tecido (dar preferência a material impermeável).
  • Evitar proliferação de mofo (que aparece em lugares úmidos, escuros e com pouca ventilação). Manter a residência bem ventilada e permitir a entrada de sol (principalmente no quarto do paciente). Evitar vazamento ou acúmulos de água. Consertar vazamentos de telhas e manter calhas limpas. Evitar plantas dentro de casa. Não usar vaporizadores ou umidificadores de ar.
  • Utilizar aspiradores de pó equipados com filtros HEPA (filtros de alta eficiência). Os aspiradores comuns podem, ao contrário, aumentar as quantidades de aeroalérgenos no ambiente.
  • Remover os animais da casa. Se não for possível, mantê-los fora de casa e dar banhos semanais.
  • Erradicação de baratas, através de dedetização periódica da casa.
  • Não permitir que fumem dentro de casa, mesmo quando o paciente não se encontra no ambiente.
  • Evitar contato com perfumes, produtos em spray, tintas, inseticidas, detergentes, desinfetantes, ceras, produtos químicos e incensos. Use produtos neutros, sem perfume

A princípio, qualquer alimento pode causar alergia alimentar, mas um grupo de 8 alimentos responde por cerca de 90% das reações alérgicas alimentares devido a algumas características na estrutura de suas proteínas. Podemos citar: leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixe, amendoim, castanhas e frutos do mar. Na população brasileira, o milho também é uma importante causa.
No Brasil, na faixa etária pediátrica, o leite de vaca e o ovo são os principais desencadeantes de alergia alimentar.

Nos casos de suspeita de reação adversa a alimentos, é sempre importante uma avaliação médica especializada. O tratamento sempre envolve a exclusão do alimento e/ou aditivo alimentar envolvido, suporte nutricional adequado e orientações para o reconhecimento e tratamento precoce das reações

A asma é um importante problema de saúde pública, com estimativa de 300 milhões de indivíduos afetados no mundo, com cerca de 180.000 óbitos anuais. Atinge mais de 10% da população infantil nos países ocidentais, sendo a doença crônica mais comum da infância.

Os principais sintomas associados a asma são chiado no peito, falta de ar, tosse, aperto no peito, e aumento da secreção de muco (catarro).

Pode ser desencadeada ou agravada por múltiplos fatores conforme a faixa etária. Nas crianças menores, infecções como gripes e resfriados são importantes desencadeantes de crises. Entre os adolescentes, as exacerbações agudas podem ser desencadeadas ou agravadas por alérgenos inalantes como ácaros, fungos, pêlos, saliva, animais domésticos (cão e gato) e baratas, além de mudanças bruscas de temperatura.

A inalação de agentes irritantes como odores fortes e cigarro, exercícios físicos e fatores emocionais também podem agravar a asma.

O diagnóstico pode ser feito baseado na história dos sintomas, testes alérgicos (Prick test) e prova de função pulmonar (espirometria).

Inicia-se em qualquer faixa etária, porém é mais frequente nas crianças e adolescentes.

Os principais sintomas são: obstrução nasal, coriza, espirros e prurido (nasal, em palato, faringe, olhos e/ou conduto auditivo), perda de olfato e de paladar.

O diagnóstico da rinite alérgica envolve avaliação clínica especializada e confirmação da sensibilização alérgica realizada através de testes cutâneos (prick test), exames de sangue e/ou provas de provocação nasal.

O tratamento envolve o controle ambiental, uso de medicações específicas e a imunoterapia alérgeno-específica. A imunoterapia é considerada atualmente a única forma de tratamento que proporciona melhora em longo prazo das doenças alérgicas, devendo ser sempre orientada e seguida por médico especialista.

As reações alérgicas podem se manifestar como reações locais e sistêmicas. A principal complicação relacionada às reações locais é a infecção secundária. As reações anafiláticas representam a forma extrema da manifestação sistêmica, com risco de morte.

Os sintomas cutâneos de prurido, urticária e angioedema são comuns. Casos mais graves cursam com bronco espasmo, hipotensão, choque e edema de laringe, sendo este último a causa mais comum de óbito nesses casos.

O diagnóstico é baseado na história clínica, juntamente com o teste cutâneo e a determinação da IgE sérica específica ao veneno.

O tratamento envolve principalmente a prevenção a picadas, tratamento específico em caso de reações e imunoterapia. A Imunoterapia específica é o único tratamento capaz de alterar o curso natural da doença nos pacientes que apresentam reações anafiláticas.

A urticária (lesões avermelhadas na pele que causam prurido intenso) e o angioedema são manifestações clínicas muito comuns, sendo que aproximadamente 15 a 20% das pessoas podem apresentar pelo menos um episódio no decorrer de sua vida.

O angioedema ocorre devido a edema (inchaço) da derme profunda e do subcutâneo, atinge as mucosas e submucosas e envolve as mãos, pés, pálpebras, lábios e até laringe.

Existem diversas causas e fatores desencadeantes de urticária e angioedema, desde processos alérgicos a quadros não alérgicos:

  • Reações adversas a medicações:principalmente anti-inflamatórios não hormonais (diclofenaco, meloxicam, nimesulida, AAS, entre outros), antibióticos (penicilinas, sulfas, outros), anestésicos, contrastes iodados, medicações para pressão (inibidores da enzima conversora de angiotensina -IECA).
  • Reações alérgicas a alimentos(peixes, frutos do mar, oleaginosas, leite, ovo, trigo, soja).
  • Reações adversas a aditivos alimentares(corantes, conservantes, antioxidantes).
  • Picadas de inseto(vespa, abelha, formiga).
  • Estímulos físicos(frio, calor, pressão, vibração).
  • Associada com doenças sistêmicas(lúpus eritematoso, febre reumática, artrite reumatóide, tireoidites e doenças inflamatórias intestinais.
  • Angioedema Hereditário.

Alguns fatores podem piorar os quadros de urticária como fatores psicológicos, álcool, exercício físico, calor, estresse, e alterações hormonais.

As reações de hipersensibilidade às drogas, podem ser alérgicas ou não alérgicas.

O quadro clínico das reações às drogas é muito variado, podendo comprometer um ou mais órgãos, sendo as manifestações cutâneas as mais frequentes.

Lembre-se

  • Evite a automedicação. Use medicamentos com orientação e receita médica.
  • Em caso de suspeita de reação ou alergia a algum medicamento, procure um médico.
  • Mantenha com você uma relação dos medicamentos que lhe causam reações ou alergias.
  • Informe sempre o médico quais os medicamentos lhe causam reações ou alergias.

Atenção com os nomes dos componentes nas bulas dos remédios. Quando tiver dúvidas, entre em contato com o seu médico

É uma doença crônica, não contagiosa, que causa inflamação da pele levando ao aparecimento de lesões e coceira (prurido). Cerca de 85% dos casos tem início antes dos 5 anos de idade. Pode preceder ou estar associada a outras doenças alérgicas, como asma e rinoconjuntivite.

O diagnóstico da dermatite atópica é baseado na história e no exame físico do paciente. Os testes podem auxiliar para a identificação de possíveis alérgenos envolvidos na piora dos sintomas e desta maneira orientar o tratamento.

Cuidados Gerais

  • Banhos rápidos, com duração de 5 a 7 minutos, de preferência uma vez ao dia, com água morna.
  • Usar sabonete neutro sem perfume.
  • Não usar buchas ou esponjas.
  • Usar hidratante logo após o banho e, se necessário, várias vezes ao dia.
  • Usar roupas leves, de preferência de algodão, folgada, de cores claras. Lavar com sabão neutro e sem amaciante.
  • Evitar roupas de lã, cobertores e mantas.
  • Cortar bem as unhas

 

A dermatite de contato é uma dermatose causada por substâncias exógenas em contato com a pele ou mucosas. As lesões surgem, habitualmente, nos locais de contato com a substância

O diagnóstico das dermatites de contato é realizado por história clínica detalhada e pelo teste de contato (patch test) que é o único método efetivo para se detectar a etiologia das dermatites de contato.

Imunodeficiência é um grupo de doenças, caracterizadas por um ou mais defeitos do sistema imunológico. Como consequência destas alterações, o indivíduo se torna mais propenso a apresentar grande número de infecções.

10 sinais de alerta para imunodeficiência:

Se você, ou alguém que você conhece, apresentar dois ou mais sinais ou sintomas descritos abaixo, procure um especialista:

  1. Duas ou mais pneumonias no último ano;
  2. Oito ou mais otites no último ano;
  3. Estomatites (aftas) de repetição ou monilíase (sapinho) por mais de 2 meses;
  4. Abscessos de repetição;
  5. Infecções intestinais de repetição/diarréia crônica;
  6. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia);
  7. Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune;
  8. Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por Microbactéria;
  9. Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência (Síndromes genéticas);
  10. História familiar de imunodeficiência

ATENÇÃO: ONDE COMPRAR ADRENALINA  AUTO-INJETÁVEL!